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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

[2 e 1/2]

Este ser que carrega nos braços, resto de esperança, futuro de dois quilos e meio, semente inerte, que respira e é fôlego, é a tua voz que se perpetua no vento que virá.
Este coração que pulsa lá dentro, refaz, nas suas batidas, o futuro que ainda não veio, mas pelo ritmo já se sabe que há um passo. Esses pés e mãos, de tão pequenos, parecem por à prova a certeza de que são deles o ar e o chão que estão por vir. Estes pés tão pequeninos e rosados, cobertos de tão fina pele, de tão frágeis e delicados parecem por à prova a certeza que são eles que pisarão o pó que hoje é cimento armado, e essas mãos, que mal têm unhas ou traçados claros que decidem seu futuro, deixam levemente sobre nós a dúvida de que são elas, elas mesmas, as mãos que modelam o barro do chão, o mesmo chão que cobre os anos de nossas vidas que ainda virão.
Virão sim, pelos teus dedos e unhas e sorrisos, e candura, de menina que ainda não anda, mas já é uma amanda bela, de olhos que ainda sequer sabem de que cores serão, mas que giram afoitos e atentos por cada um que entra no quarto, na ânsia de saber quem são esses que hoje cuidam dela, ainda nesse corpo tão frágil, e quais desses mesmos será ela a cuidar quando os anos endurecerem e tornarem a suavizar nossas peles.