[o sonho que anunciava o fim]
Hoje sonhei que eu havia escrito esse blog inteiro. Não que eu houvesse escrito durante um ano e semanas e um belo dia tivesse desistido dele: era o seu próprio fim que eu sonhava. Sonhei com o fim dos meus dias, se é que me entendem.
Eram todos posts pequenos, de quem passou a vida em pequenas gotas insossas, era um sonho de vida que passou e deixou pequenos textos já lidos por todos, sem nenhuma novidade. Os textos diziam algo repetido, era como se tivessem copiado e colado todos eles e apressado o fim dos dias. Não teria havido evolução, apenas control c, control v. A repetição dos dias, o inverso do que é esse blog, o inverso do que é a evolução que pretendemos todos para as nossas vidas.
O sonho era um alerta, era meu inconsciente contando-me das minhas repetições e da necessidade do novo: aliás, a minha alma era quem dizia, eu sou abastada, eu que dou a ti a riqueza das tuas horas, e meu inconsciente, de mãos dadas com ela, punha uma tinta horrorosa na repetição que se fazia ali. A tinta cobria a tela inteira, como que cobrando a retomada da variação, do inusitado, dos temperamentos e das calmas, alternando-se em milagres cotidianos.
Um eu meu que morava no sonho – o suposto agente repetidor, o que apenas clonava os dias – debatia-se em fúria quando via a tinta que escorria, a tinta lançada pelo polvo de oito patas, a minha alma que tudo alcança. O outro eu observava distante, ávido pela história completa, o repórter dos acontecimentos irreais. Esse repórter, outro eu como já disse, via de longe como quem vê um filme, e repetia para si mesmo, isso vai dar um belo post, daqueles que dizem muito. Basta acordar e lembrar, copiar daqui e colar lá, e ainda pedir ajuda à imaginação que rebusco estas alucinações até transformá-las em conto surreal.
Morreu o repetidor, ficou o polvo, acordou o menino que tudo sonha, lembrou o repórter do sonho, fincou-se o sonho na realidade. Você leu, refez o sonho pelos seus sentidos e agora estou aqui, relendo o sonho, revisitando o velho e angustiante sonho, descobrindo-me nele, sonhando-me comigo mesmo, criando um novo post já velho, exorcizando a rotina, o eu repetidor, o que vê a mesma hora a qualquer hora porque o relógio há muito só marca o mesmo de sempre e ele sabe e mesmo assim nunca vai ao homem-que-move-ou-remove-os-ponteiros-que marcam-o-tempo.
Eram todos posts pequenos, de quem passou a vida em pequenas gotas insossas, era um sonho de vida que passou e deixou pequenos textos já lidos por todos, sem nenhuma novidade. Os textos diziam algo repetido, era como se tivessem copiado e colado todos eles e apressado o fim dos dias. Não teria havido evolução, apenas control c, control v. A repetição dos dias, o inverso do que é esse blog, o inverso do que é a evolução que pretendemos todos para as nossas vidas.
O sonho era um alerta, era meu inconsciente contando-me das minhas repetições e da necessidade do novo: aliás, a minha alma era quem dizia, eu sou abastada, eu que dou a ti a riqueza das tuas horas, e meu inconsciente, de mãos dadas com ela, punha uma tinta horrorosa na repetição que se fazia ali. A tinta cobria a tela inteira, como que cobrando a retomada da variação, do inusitado, dos temperamentos e das calmas, alternando-se em milagres cotidianos.
Um eu meu que morava no sonho – o suposto agente repetidor, o que apenas clonava os dias – debatia-se em fúria quando via a tinta que escorria, a tinta lançada pelo polvo de oito patas, a minha alma que tudo alcança. O outro eu observava distante, ávido pela história completa, o repórter dos acontecimentos irreais. Esse repórter, outro eu como já disse, via de longe como quem vê um filme, e repetia para si mesmo, isso vai dar um belo post, daqueles que dizem muito. Basta acordar e lembrar, copiar daqui e colar lá, e ainda pedir ajuda à imaginação que rebusco estas alucinações até transformá-las em conto surreal.
Morreu o repetidor, ficou o polvo, acordou o menino que tudo sonha, lembrou o repórter do sonho, fincou-se o sonho na realidade. Você leu, refez o sonho pelos seus sentidos e agora estou aqui, relendo o sonho, revisitando o velho e angustiante sonho, descobrindo-me nele, sonhando-me comigo mesmo, criando um novo post já velho, exorcizando a rotina, o eu repetidor, o que vê a mesma hora a qualquer hora porque o relógio há muito só marca o mesmo de sempre e ele sabe e mesmo assim nunca vai ao homem-que-move-ou-remove-os-ponteiros-que marcam-o-tempo.