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terça-feira, 20 de novembro de 2007

[onde tudo começa]

Tudo começa com um sorriso. O primeiro de todos os sorrisos, é o primeiro começo de tudo. Quando ela levanta a cabeça, num esforço de ser humano que está há pouco tempo de volta, e sorri, é como se voltássemos todos ao início de tudo, quando uma célula sorriu para outra e uniu-se, gerando a vida.
O sorriso de Amanda. Seja bem-vinda ao mundo dos risos e choros, minha sobrinha querida.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

[futuro...]

A doce senhora perguntou-me, com um sorriso antigo:
- De onde vem esse teu velho sonho?
- Vem de velhas paragens, cenário de velhos sonhos também teus.
- Curioso saber que meus sonhos ainda estão por lá.
- Curioso saber que depois de tantos anos a senhora ainda não notou que sonhos não morrem jamais, e que aquelas antigas paragens são seu lar definitivo, sua casa nomeada, sua referência ao futuro
- É lá, então, onde se guarda o futuro?
- Sim, na forma de sonhos. Nos meus, nos seus, nos de todo mundo.
- Alguns dos meus sonhos, no entanto, já viraram realidade; de outros desisti, outros viraram pesadelos que me assombram até hoje. E ainda dizes que estão por lá, junto com os teus, meu filho?
- É que, em essência, todos esses sonhos são os mesmos, só mudam-lhes os nomes. E, por serem os mesmos, estão sempre lá. São como semeaduras... prontas as sementes, é como se cada uma aguardasse somente uma mão de coragem para jogá-las no fértil mundo.
- Foram essas minhas mãos um dia.
- Vejo pelo traçado ousado nelas que sim.
- E agora, e do teu sonho, o que fizeste? – tornou a perguntar a velha senhora.
- Nada, estão inertes, no escuro do solo. Aguardo que venha a frondosa árvore para que eu possa comer-lhe o fruto doce.
A velha sorriu novamente. A antiguidade do seu sorriso lembrou-me que há um ciclo em tudo. O ciclo da velha senhora chegava ao fim, eu via. Suas perguntas e suas respostas, as minhas próprias perguntas e respostas me deixaram confuso. Era como se a tênue linha da minha juventude e da sua velhice de repente desaparecesse. Eu, no meio. Ela, no fim. Os sonhos e nossas dúvidas permeando tudo.
Soube do seu reinício depois de alguns dias. Fora a última conversa da senhora dos risos antigos. Para mim, foi o conforto que precisava ao lembrar-me do meu próprio fim. No nosso fim, a bem dizer. Lá onde estaremos todos novamente plantados em solo fértil, qual semente de sonho que aguarda novamente a vida.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

[2 e 1/2]

Este ser que carrega nos braços, resto de esperança, futuro de dois quilos e meio, semente inerte, que respira e é fôlego, é a tua voz que se perpetua no vento que virá.
Este coração que pulsa lá dentro, refaz, nas suas batidas, o futuro que ainda não veio, mas pelo ritmo já se sabe que há um passo. Esses pés e mãos, de tão pequenos, parecem por à prova a certeza de que são deles o ar e o chão que estão por vir. Estes pés tão pequeninos e rosados, cobertos de tão fina pele, de tão frágeis e delicados parecem por à prova a certeza que são eles que pisarão o pó que hoje é cimento armado, e essas mãos, que mal têm unhas ou traçados claros que decidem seu futuro, deixam levemente sobre nós a dúvida de que são elas, elas mesmas, as mãos que modelam o barro do chão, o mesmo chão que cobre os anos de nossas vidas que ainda virão.
Virão sim, pelos teus dedos e unhas e sorrisos, e candura, de menina que ainda não anda, mas já é uma amanda bela, de olhos que ainda sequer sabem de que cores serão, mas que giram afoitos e atentos por cada um que entra no quarto, na ânsia de saber quem são esses que hoje cuidam dela, ainda nesse corpo tão frágil, e quais desses mesmos será ela a cuidar quando os anos endurecerem e tornarem a suavizar nossas peles.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

[a falta]

Pelo ranger das fortes cordas de aço sei que é você que ascende até mim. No quarto apertado, no prédio antigo, de já tantos anos, não consigo senão sentir, com aquele velho ranger, a ancestralidade dos amores que já tantas vezes desceram e subiram e naquela velha caixa. Não importa o ranger, o barulho incômodo, o espaço mínimo para tantos corpos. O que importa mesmo é a altura a que nos leva. O que importa é que o ranger do aço me avisa da tua possível chegada. E quando a porta enfim se abre nesse que é o andar do nosso ninho, eu sei, pelo ranger dos teus sapatos velhos em contato com o chão que tanto já te sentiu pisar, que é você que vem.
Não sinto falta do cheiro que emana das moças ricas e dos rapazes novos. Não sinto falta da paisagem deslumbrante da cidade, ou dos artistas cantantes nos espetáculos em palcos imensos. Falta sinto da imensidão do cheiro do inverno e do teu cheiro misturado a tudo isso. O cheiro da fronha antiga na nossa cama, o cheiro da quitanda ao lado: eu descendo o velho elevador e comprando o nosso pão. Não me faz falta o óbvio. Falta me faz a simplicidade de te ter. Falta me faz a música que era nós dois em compasso com tudo isso, e a harmonia que tudo era, somente para os nossos sentidos.